Como calcular o preço de brigadeiro (sem perder dinheiro)

Publicado em 06/11/2026 · leitura de 4 min

Aviso: Os números deste artigo são inventados para ilustrar a conta. Use os preços que você paga e confira os impostos do seu caso com um contador.

Muita gente que vende brigadeiro faz a conta assim: soma o que gastou no mercado, divide pela quantidade e multiplica por dois. Dá certo às vezes, mas costuma esquecer três coisas: o gás, o seu tempo e as taxas que saem do valor da venda. Aqui vai um método simples, com um exemplo que você pode refazer com os seus preços.

1. Descubra o custo dos ingredientes da receita

Anote o preço da embalagem que você compra e quanto dela vai na receita. A regra é uma só: preço da embalagem ÷ quantidade da embalagem × quantidade usada.

Exemplo de uma receita que rende 30 brigadeiros (valores fictícios):

ItemContaCusto
Leite condensado1 lataR$ 7,50
Chocolate em pó40 g de um pacote de 200 g (R$ 12,00)R$ 2,40
Manteiga15 g de um pote de 200 g (R$ 12,00)R$ 0,90
Granulado100 g de um pacote de 500 g (R$ 15,00)R$ 3,00
Forminhas30 unidades a R$ 0,10R$ 3,00
Total de materiaisR$ 16,80

Não esqueça do gás. Se você gasta, em média, R$ 0,60 de gás por receita, some: o custo vai a R$ 17,40.

2. Coloque o seu tempo na conta

Fazer a receita, enrolar, embalar e atender o cliente levam tempo. Digamos que a receita toda dê 1 hora de trabalho e que você queira receber R$ 15,00 por hora. Some R$ 15,00. O custo total da receita passa a ser R$ 32,40, ou R$ 1,08 por brigadeiro (R$ 32,40 ÷ 30).

Quem não coloca o tempo na conta acaba trabalhando de graça e chama isso de lucro.

3. Some perdas e embalagem de venda

Brigadeiro que cai no chão, ponto que passa e fica ruim, sobra na panela: isso é perda. Se você perde cerca de 3% do que produz, aumente o custo em 3%. Caixinhas, fitas e etiquetas de venda também entram. Neste exemplo, para manter a conta simples, vamos deixá-las de fora, mas na sua planilha elas devem aparecer.

4. Considere as taxas sobre a venda

Pix e maquininha, comissão de aplicativo, imposto (se você paga) saem de uma porcentagem do preço. Isso importa porque a taxa é cobrada sobre o preço de venda, e não sobre o custo. No exemplo, vamos supor 4% de taxa de pagamento, sem imposto.

5. Escolha a margem e aplique a fórmula

Margem é a porcentagem do preço que sobra como lucro depois de tudo. Vamos supor 30%.

Preço = custo ÷ (1 − taxas − margem)

Com os números do exemplo: 1 − 0,04 − 0,30 = 0,66. Então R$ 1,08 ÷ 0,66 = R$ 1,64. Arredondando para facilitar o troco, R$ 1,70 por unidade, ou R$ 6,80 uma caixa com quatro.

Conferindo: de R$ 1,70, cerca de R$ 0,07 vão para taxas, cerca de R$ 0,51 ficam como margem e sobram R$ 1,12, o bastante para cobrir o custo de R$ 1,08.

Por que não usar "custo × 2"?

Porque dobrar o custo dá R$ 2,16 neste exemplo, mas esse valor também só funciona por acaso. Se as taxas ou o seu tempo forem diferentes, o multiplicador certo muda. A fórmula acima funciona em qualquer cenário.

6. Compare com o mercado e ajuste

Olhe o preço de três vendedores parecidos na sua região. Se o seu preço calculado ficou bem acima, em vez de baixar a margem pense em reduzir custo (comprar no atacado, trocar de embalagem) ou em justificar a diferença (sabor, apresentação, entrega). Se ficou abaixo, talvez você esteja cobrando menos do que poderia.

7. Revise quando os custos mudarem

O leite condensado sobe, o chocolate sobe, o gás sobe. Refaça a conta a cada trimestre, ou sempre que um item importante mudar mais de 10%.

Checklist rápido

Com poucas receitas, uma calculadora resolve. Quando o cardápio cresce (bolos, docinhos, salgados, marmitas), fica difícil manter tudo atualizado de cabeça: é aí que uma planilha com insumos cadastrados, fichas de receita e preço de balcão e de delivery ajuda a não errar e a atualizar o preço de todos os itens quando um ingrediente sobe.

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